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Blog da Bella Falconi

O que é a polêmica dieta hCG e seus riscos

Bella Falconi

24/11/2017 04h00

O desejo da perda de peso a qualquer custo atinge milhares de pessoas ao redor do mundo. A cada dia que passa, surgem inúmeras dietas promissoras, acompanhadas de artifícios mirabolantes que garantem trazer resultados imediatos. Mas vamos falar bem a verdade: não existem milagres e muito menos atalhos quando o assunto é saúde. Eu sempre digo isso a todos que estão ao meu redor: nada daquilo que vale a pena ter vem fácil. Grandes resultados exigem grandes esforços e quando me deparo com um protocolo que promete trazer mudanças radicais em um curtíssimo período de tempo, imediatamente sou tomada por um sentimento de preocupação.

É raro que exista uma dieta da moda que tenha amplo suporte e comprovação científica de seus benefícios e ausência de riscos. Isso faz com que elas se tornem potencialmente prejudiciais. De acordo com um artigo publicado no periódico Journal of Dietary Supplements em 2016, a dieta da Gonadotrofina Coriônica Humana, ou a "dieta hCG", ainda não possui evidências para sustentar sua eficácia. Esse mesmo artigo elucida que é preocupante o fato de que muitos não estejam dando uma atenção especial ao possível perigo de administração de hCG em indivíduos.

O que é a dieta hCG?

É um hormônio produzido pela placenta humana durante a gravidez e utilizado, primordialmente, em tratamentos de fertilidade. O uso do hCG é liberado no Brasil mediante prescrição medica. Contudo, após realizar muitas pesquisas, pude perceber que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia se posiciona contra o uso desse hormônio para fins de emagrecimento e, além disso, reconhece seus riscos para a saúde.

O hCG foi usado pela primeira vez para a perda de peso na década de 1950, mas deixou esse posto vinte anos depois. Isso porque não encontraram evidências que apoiavam sua utilidade para o emagrecimento. Contudo, nos últimos anos, a dieta se tornou popular novamente e tem sido vastamente prescrita para tais fins. O médico Albert Simeons, criador da dieta hCG, sugeriu que tal hormônio fosse usado para auxiliar na queima de gordura (particularmente nas regiões dos quadris, coxas e estômago), em conjunto com uma dieta bastante restritiva em calorias. Além disso, ele sugeriu que essas injeções poderiam ajudar a reduzir a fome, a promover o sentimento de bem-estar, a manter os níveis de energia elevados e a distribuir apropriadamente a gordura no corpo. Mas tudo isso sem uma base científica.

Conheça os riscos da dieta hCG

A dieta hCG combina gotas ou injeções do hormônio com uma ingestão de apenas 500 calorias por dia. Enquanto muitos estão convencidos de sua eficácia, o governo e a comunidade médica dos Estados Unidos garantem que ela carrega muitos riscos para a saúde e não leva à perda de peso a longo prazo. Segundo Pieter Cohen, professor na escola de medicina de Harvard, a dieta do hCG é "imprudente, irresponsável e completamente irracional". Ele ainda acrescenta: "O candidato pode perder peso com essa dieta? Claro, mas principalmente porque ele não está consumindo calorias. E qualquer benefício não irá durar".

Viver com apenas 500 calorias por dia não é apenas prejudicial à saúde, é extremamente perigoso e potencialmente fatal, de acordo com especialistas da FDA, agência americana responsável por regular o mercado alimentício e farmacêutico. Os indivíduos que seguem dietas tão restritivas são expostos a maiores riscos de efeitos colaterais, que incluem a formação de cálculos biliares, batimento cardíaco irregular e desequilíbrio dos eletrólitos que mantêm os músculos e os nervos do corpo funcionando corretamente.

Os efeitos colaterais atrelados à dieta hCG incluem fadiga, irritabilidade, agitação, depressão, acumulo excessivo de fluido (edema) e inchaço dos seios em homens (ginecomastia). Outra preocupação séria é o risco de formação de coágulos de sangue e bloqueio de vasos sanguíneos (tromboembolismo). Além disso, o uso de hCG para perda de peso pode levar ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Pense bem!

É importante ressaltar que as dietas compostas por pouquíssimas calorias muitas vezes são recomendadas por profissionais de saúde para indivíduos considerados obesos. Independentemente de qualquer coisa, é necessária uma supervisão médica rigorosa para garantir que os efeitos colaterais não sejam potencialmente fatais. São riscos que não valem a pena ser corridos pela busca do inexistente corpo perfeito ou pela perda de peso a qualquer custo.

Dentro de um plano realístico e seguro, a perda de peso gradativa por meio da reeducação alimentar e prática de atividade física é a maneira mais saudável de combater o sobrepeso e prevenir doenças. Uma dieta tão restritiva pode resultar em deficiências graves de vitaminas, minerais e proteínas necessárias para manter o bom funcionamento do organismo. Não existem atalhos ou milagres. O correto é buscar métodos seguros e aprovados por uma vasta evidência científica. Use a informação embasada a seu favor.

Meu objetivo é alertar a todos os leitores sobre as inúmeras dietas da moda que prometem mundos e fundos, mas que podem estar colocando sua vida em risco. Acreditem: o melhor caminho nem sempre é o mais fácil.

Sobre o autor

Bella Falconi é bacharel em nutrição e mestre em nutrição aplicada pela Northeastern University, nos Estados Unidos. Atualmente É pós-graduanda em Teologia e pioneira do movimento saudável nas redes sociais. Bella também é ex-atleta fitness e ministra palestras motivacionais em vários lugares do mundo, principalmente no Brasil.

Sobre o blog

Dicas e artigos sobre saúde e bem-estar, com foco no equilíbrio e nas realizações pessoais. A ideia central do blog é motivar e também desmistificar diversos assuntos sobre alimentação saudável.

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